20 de dezembro

Acelerando com Rodrigo La Rosa

Momentos de superação na prova de ciclismo mais difícil do planeta

Sempre em frente | Foto: Lucas Tergolina

Sempre em frente | Fotos: Lucas Tergolina

Rodrigo La Rosa é empresario, gestor esportivo, pai de uma linda família e ciclista. O esporte sempre esteve presente em sua vida e, entre tantos desafios, um em especial marcou sua trajetória. O gaúcho integrou a RS1 Brazilian Team, uma equipe formada por quatro amigos de Porto Alegre que resolveram desafiar a Race Across America (RAAM), cujo percurso atravessa os Estados Unidos de ponta a ponta e possui a tradição de ser A Competição de Ciclismo Mais Difícil do Mundo. Com muito esforço, preparação e força de vontade, venceram os desafios e ainda bateram o recorde brasileiro da prova. Acompanhe a entrevista com Rodrigo La Rosa, conheça mais sobre sua história e descubra as condições extenuantes que ele superou em solo norte-americano.

Como iniciou sua história no esporte?
Sou filho de educadores físicos, então o esporte está na minha vida desde sempre, meu pai era treinador de natação e quando eu tinha 2 anos de idade “me atirou” na piscina pela primeira vez. Sempre pratiquei esportes, passei por várias escolinhas de natação, basquete, vôlei, futebol, judô e ciclismo, sempre muito incentivado pelos meus pais.

E o ciclismo, como se destacou em sua vida?
Eu tive uma infância muito boa, diferenciada, pois havia uma liberdade que hoje é difícil de darmos aos nossos filhos. Eu saía de bike pelo bairro desde os 8 anos, tinha uma pista de BMX perto de casa e a diversão era quase diária. Aos 14, eu já estava de mountain bike pelos morros e trilhas da Zona Sul de Porto Alegre, daí foi um pulo para as primeiras competições.

Falando em competições, em relação a Race Across América, poderia contar um pouco sobre a preparação para a prova?
Eu conheci essa prova através de uma reportagem, em 1994, e ela nunca mais saiu da minha cabeça. Quando tive condições de participar, não poupei esforços. Foram 8 meses de preparação específica, muito bem pensada estrategicamente. Tivemos como consultor técnico o Ricardo Arap, com 8 participações na RAAM, sendo uma delas o recorde mundial de duplas, com o Alexandre Ribeiro (6x campeão mundial do Ultraman). Nosso treinador foi o Lucas Pretto, outro fera, campeão mundial de triatlon. Foram 8 meses de muito foco e treinamento intenso. Nos últimos 2 meses rodávamos entre 500 e 600 km por semana entre estrada e serra, juntamente com sessões de treinamento funcional, fisioterapia e massagens. Tínhamos uma equipe multidisciplinar maravilhosa do Instituto de Medicina do Esporte do Hospital Mãe de Deus, coordenada pelo Dr. Félix Drummond, trabalhando com a gente.

Em meio tantos desafios nesse treinamento intenso, qual considera o mais difícil?
Com certeza os treinos de longa duração (entre 120 e 200km), por necessitarem de uma preparação específica, como hidratação, alimentos, suplementos, câmaras, pneus e ferramentas. São muitas horas na estrada, longe de casa e de alguma assistência.

Poderia nos explicar um pouco da logística que envolve uma prova como essa?
A nossa equipe foi composta por 20 pessoas, 4 atletas e 16 staffs. Essa galera se preparou tanto quanto nós. A logística iniciou até antes dos treinos, com a reserva dos veículos, um motor home e três vans, hotéis e passagens. O estudo e entendimento do route book, e o regulamento, são vitais para uma prova de travessia tão longa como essa, pois a equipe de trabalho era dividida em três turnos, onde quem assumia o posto não poderia perder o rumo, precisava saber exatamente onde estávamos e para onde estávamos indo. A prova não pára nunca, ficamos ligados 24 horas por dia, o tempo todo concentrados em decifrar a rota certa, porque qualquer erro poderia nos fazer perder minutos e talvez horas preciosas. Após 6 horas de descanso, efetuava-se um rodízio. Havia motorista, navegador, cozinheiro, fisioterapeuta, mecânico, médicos, quiroprata, preparador físico, chefe de equipe e treinador, entre outras funções.

Qual foi o momento mais difícil da travessia?
É difícil escolher o momento mais difícil, pois foram muitos e entendemos perfeitamente o slogan da prova: A Competição de Ciclismo Mais Difícil do Mundo. O deserto foi duríssimo, pedalar à 48°C beira a loucura. É como se colocassem um secador de cabelos na sua boca para respirar. Nem pedalando com saco de gelo na cabeça, aliviava. Outro momento louco, foi percorrer os Montes Apalaches a noite e a todo momento ver alces e cervos gigantes atravessando a pista.

E o momento mais gratificante?
Chegar lá é muito gratificante, por tudo que se passa na preparação. No primeiro dia já nos sentíamos abençoados por conseguir completar até ali. Quando se prepara para uma competição dessas, na hora da prova é só alegria. Acho que as ultrapassagens nas outras equipes foram momentos de grande vibração e superação, percorrer o interior dos Estados Unidos com o povo nos acolhendo foi muito gratificante. O dia a dia com o time, vendo todos na mesma sintonia, com a mesma vibração, foi muito recompensador, mas realmente, cruzar a linha de chegada com a equipe inteira, amigos e familiares vibrando junto com você é inesquecível.

Atualmente, você ainda segue uma rotina de treinos? Além da bike, pratica outros esportes?
Sim, tirei férias nos treinos logo após a competição, pois estávamos muito cansados, física e psicologicamente. Mas hoje treino normalmente, retomei os treinos de triathlon, que é um esporte que tenho muita satisfação e que há muitos anos não praticava. Nado, pedalo, corro e faço três treinos funcionais por semana.

Costuma utilizar o Foam Roller no seu dia a dia?
Utilizo até mais que minha bicicleta (risos). Porque o Foam Roller uso diariamente, antes e depois dos treinos.

Quais benefícios observa?
São surpreendentes as melhoras nas dores e desconfortos pré e pós treinos. A auto liberação miofascial, além de preparar para os treinos, ajuda a recuperar a musculatura das duras sessões.

Quais os próximos desafios em mente?
Retornar para a RAAM está nos planos de médio e longo prazo, assim como as travessias europeias. Mas, no momento, quero me dedicar um pouco mais ao triathlon, uma atividade que me satisfaz bastante e tenho muitos amigos. Pretendo fazer dois ou três meio-irons em 2016, entre outras provas.

Qual a maior lição que tirou dessa jornada?
Sempre acreditei que o esporte complementa a formação humana e transforma vidas. No esporte, estamos sempre em constante evolução e transformação, em todos os sentidos, tanto na prática esportiva, quanto na vida fora dela, nos relacionamentos, etc. A maior lição é que jamais podemos desistir dos nossos sonhos e objetivos. Faça tudo com muita dedicação, amor, humildade e perseverança, que eles acabam se realizando.

Clique na imagem e saiba mais sobre a participação da RS1 Team na RAAM

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